quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Divulgação - Homenagem ao Deme

Pessoal, estou um pouco atarefado devido à mudança de local de trabalho e função, entretanto, pretendo voltar com novas postagens a respeito dos estudos e concursos em breve.
Por ora, divulgo mensagem do professor Alexandre Meirelles, grande amigo e "guru" na área dos concursos públicos, principalmente fiscais.
É de conhecimento amplo dos concurseiros a triste notícia de falecimento do grande Demétrio de Macedo Pepice, o famoso Deme. Para homenageá-lo, o professor Meirelles solicita a todos que enviem seus recados relativos ao Deme para o email amigosdodeme@gmail.com, conforme consta na mensagem abaixo. Ressalto que o prazo para envio dos textos é até dia 30 de novembro de 2011.



Homenagem ao Menino Fenômeno

Minhas Lembranças e um Pedido de Homenagem por parte dos Concurseiros

Este texto é composto por duas partes: a 1ª, é uma homenagem que gostaria que os concurseiros e ex-concurseiros fizessem a ele. A 2ª é a minha homenagem ao Deme, que deixo opcional para que os meios divulguem, afinal, o que interessa é que divulguem a 1ª parte, por isso, caso não tenham tempo ou não queiram ler a 2ª parte, leiam só a 1ª, que é bem mais rápida, importante e que necessitará da ajuda de todos.

1ª Parte – Pedido de Homenagem dos Concurseiros e Ex-Concurseiros ao Deme

Antes de fazer o pedido, saliento que não é uma homenagem minha, é de vocês, de todos que estudam seguindo algumas das dicas do Deme e/ou que foram aprovados com uma parcela de ajuda delas.

Minha proposta é simples, ideia esta também já pensada por outras pessoas, só estou querendo operacionalizá-la.


Eu gostaria que quem estudou ou estuda por dicas do Deme, ou o admira, escrevesse uma mensagem de agradecimento a ele. Pode ser um aprovado que passou e acredita que suas dicas o ajudaram, pode ser um concurseiro que estuda seguindo algumas de suas ideias e/ou que encontrava nele uma fonte de inspiração, pode ser algum professor ou pessoa do ramo dos concursos que o admirava, enfim, todos que acreditam que ele foi uma pessoa especial e que de alguma forma os ajudaram em vida.

Meu objetivo é juntar o máximo de mensagens que conseguir, transformar isso num livro e entregar aos pais dele. Meu sonho é montar uma Bíblia, vários volumes, não sei que tamanho isso vai ter, só espero que seja muito bonito e com quantidade suficiente de depoimentos para impressionar seus familiares.

Acredito firmemente que o Deme está bem, seja lá onde estiver. Já arrumou algo para estudar, tornar-se especialista no assunto e depois ajudar o pessoal a aprender, com toda sua humildade e paciência. Ele sempre foi assim, com tudo na vida, e não vai ser diferente agora.

É fácil perceber, lendo o fórum concurseiros, ou as mensagens que recebi por email ou no facebook, que quem estudou ou estuda seguindo algumas de suas dicas sente a vontade de agradecer o que foi conquistado ou que acredita que um dia irá conquistar.

E aqui vem o principal, que me fez pensar nestes dias até achar esta solução: os pais dele nunca foram a uma palestra dele ou algum lugar em que se encontravam aprovados e/ou concurseiros, logo, não possuem uma ideia do número de pessoas que ele ajudou. Sei que vai ser muito difícil para eles lerem este texto logo, mas um dia lerão, e sentir-se-ão muito mais confortados, sabendo que educaram uma pessoa muito especial, que deixará ótimas lembranças em todos que o conheceram, mesmo que só pelo nome. Pois o Deme era isso, uma pessoa especial, uma pessoa diferente do que vemos por aí, é uma destas pessoas que precisamos mais neste mundo tão cheio de maldades e injustiças.

Seus pais precisam saber quem ele era, e com este livro terão uma pequena ideia.

Gostaria que divulgassem o máximo que conseguissem em seus órgãos públicos, em sites especializados em concursos, em fóruns e blogs de concurseiros, no Facebook e no Orkut etc.

Vamos escrever, vamos botar no papel o que sentimos por ele. Não fiquem acanhados, não tenham preguiça, escrevam, do jeito que quiserem.

Se alguém quiser receber o arquivo completo depois, colocarei à disposição em alguns sites para download gratuito.

Não quero colocar meu nome nele, não quero nada, só quero juntar tudo e entregar aos seus pais. Já me deram a ideia de fazer uma reunião pública, na qual muitos pudessem comparecer e fazer uma entrega aos pais. Não sei, vamos esperar um pouco para ver como os pais dele estarão até lá. Eu acho meio pesado, um baque muito forte, mas ouvirei mais opiniões, principalmente de pessoas mais próximas a eles, para decidirmos sobre isso.

Criei um email no google para que mandem suas mensagens, que, por favor, não deverá ser usado para nenhum outro tipo de mensagem: amigosdodeme@gmail.com.

O prazo para mandar suas mensagens é até o dia 30 de novembro de 2011. Assim teremos bastante tempo para divulgar, quase um mês. Mas escrevam logo, repassem este pedido o máximo que puderem e o mais rápido possível, pois as emoções ainda estão recentes, não podemos deixar as pessoas irem esquecendo quem ele foi.

Para facilitar meu trabalho de compilação, decidi padronizar o texto. Escrevam ou no corpo da mensagem ou em um arquivo anexo do word, de preferência com fonte Times New Roman tamanho 12. Por favor, não utilizem no Word a extensão “docx”, usem a velha e boa “doc”. Se sentirem dificuldades para isso, tudo bem, mandem do jeito que conseguirem que eu ajeito depois.

Se tiverem alguma foto dele no palco ou abraçados com ele, mandem-na, que incluirei na mensagem.

Qual o limite de texto? Não tem, é do tamanho que achar melhor, pode ser uma simples frase, podem ser duas páginas, fiquem à vontade para escrever, deixem a emoção rolar livremente. Pode ser dirigida aos pais dele, pode ser a ele, façam do jeito que acharem melhor. Digam se ele foi importante em suas aprovações, em seus estudos diários, em seus trabalhos etc. Não tenham vergonha de escrever nem que seja uma simples frase, o que interessa é o número de pessoas que poderemos atingir. Não há limites, não há restrições, pois o Deme nunca aceitaria restrições.

É para assinar a mensagem? Vocês que sabem, pode ser o nome todo, pode ser um apelido, não importa. Mas é importante dizer sua cidade e estado de origem, para os pais dele terem noção da extensão de sua ajuda. E se já foi aprovado, escreva qual ou quais cargos conquistou com a ajuda dele.

Foram milhares de mensagens postadas no fórum concurseiros e em outros locais, então espero que postem essas frases para quem merece ler: seus pais, pois foram eles que o puseram neste mundo em sua rápida passagem, o educaram, o incentivaram a estudar para concursos e que agora sofrem com sua perda tão precoce.

Sou um fanático por filmes, dos quais o meu predileto, que é o mesmo para 90% dos homens, é O Poderoso Chefão. Nele há uma frase do Dom Corleone quando seu filho é assassinado que foi eleita como a frase mais repetida da história do cinema, quando disse: “Um pai nunca deveria enterrar seu filho”. Já vimos esta frase em diversos outros filmes, como no Gladiador etc. Eu não paro de pensar nela desde o dia do seu falecimento. Não consegui imaginar meus pais perdendo um de seus 4 filhos.

Estava angustiado nestes dias por não conseguir escrever esta homenagem e não conseguir imaginar qual seria uma forma de homenageá-lo para que seus pais soubessem quem ele foi neste mundo dos concursos, e não só o filho dedicado e grudado com eles na vida pessoal. Como já escrevi, eles precisam saber o ser maravilhoso que puseram neste mundo e que ajudou tantas pessoas.

Se alguém quiser escrever para mim para dar alguma sugestão, escrevam para: alexmeirelles@gmail.com. Fiquem à vontade, ainda estou com a cabeça meio aérea, qualquer ajuda será bem-vinda. Não terei tempo para ler mensagens de agradecimento e apoio para mim, então, por favor, guardem suas orações e palavras para o Deme. Mas não se esqueçam, a mensagem de agradecimento a ele deve ser enviada para o amigosdodeme@gmail.com, não é para meu email, pois aí farei uma bagunça danada.

Bem, mas esta foi a homenagem que pedi a vocês, que será o maior motivo para eu levantar minha cabeça nas próximas semanas, agora, vamos ao que consegui escrever sobre minhas memórias sobre quem ele foi, talvez após a leitura deste texto alguns possam entender por que ele era tão querido por quem o conheceu.



2ª Parte - Minha Homenagem, Minhas Lembranças

No dia 31 de outubro de 2011 o mundo dos concursos amanheceu muito mais triste, pois faleceu o Deme, o menino fenômeno, aos 32 anos. Foi dormir, deu boa noite aos pais, e lamentavelmente não acordou. Ironicamente, se tivesse falecido um dia depois, teria sido no dia 01/11/11, cheio de “UM´s”, que era sua colocação favorita, mas os anjos não quiseram esperar, deveriam estar precisando dele para resolverem alguma questão de prova lá em cima.

Mas afinal, para quem não o conheceu, quem foi o Deme? E para quem o conheceu, como escrever algo sobre um ser tão iluminado?

Difícil resumir uma pessoa tão especial em poucas palavras, mas vou tentar. Deme se formou em Engenharia Mecânica na USP. Vendo que estava difícil arrumar um bom emprego, resolveu seguir o antigo conselho dos pais e estudar para concursos. Conselho mais que previsível, pois seu pai é AFR-SP e sua mãe é AFRFB.

Estudou por alguns meses e, com pouco tempo de estudo, foi aprovado no Técnico da Receita Federal, hoje ATRFB. Também foi aprovado para Inspetor da CVM, cargo este que remunera muito bem, cerca de 90% de um AFRFB. Mas não foi simplesmente aprovado, foi o 1º lugar nacional da CVM.

O ATRFB o chamou antes, mas para não tomar a vaga de outro candidato, pois sabia que a CVM iria o chamar, desistiu de sua vaga de Técnico, hoje Analista. Para seu azar, o concurso da CVM enrolou, teve de fazer outra prova, e ficou muito tempo sem poder trabalhar, acho que mais de um ano, até ser chamado para lá. Foi ser caridoso com alguém que nem conhecia e ficou um bom tempo sem trabalho e grana. Mas para ele tudo bem, quando perguntei isso para ele logo que nos conhecemos, se não tinha se arrependido por não ter assegurado logo um cargo se o outro ainda estava incerto, simplesmente me disse: “Alexandre, no final deu tudo certo, e alguém ficou feliz com minha desistência, talvez fosse alguém que precisasse muito mais do que eu e que esteja vivendo disso até hoje”. E eu pensei: “Este rapaz é especial, não é só inteligente, ele possui um espírito elevado”.

Começou a trabalhar 8h/dia na CVM e chegava tarde em casa, após o famoso trânsito de SP, para continuar estudando para seu grande sonho, o AFRFB. Sua vida era trabalhar na CVM, estudar e participar ativamente do Fórum Concurseiros. Fez diversos cursos no curso Uniequipe também. Vicente Paulo, João Antônio, Antônio César, Rodrigo Luz e outros eram os seus professores preferidos.

Ficou estudando assim acho que uns 2 anos (desculpem-me não me lembrar dos números, eu o ouvi contar estes tempos muitas vezes, mas a cabeça está meio embaralhada), sempre estudando com uma raça surpreendente.

Para se manter motivado, adquirir cada vez mais conhecimento e ajudar as pessoas, participava ativamente de um fórum para concursos. Mas os amigos do fórum mais chegados, acho que uma meia dúzia, descontentes com o rumo que o fórum utilizado na época estava tomando, resolveram abrir um novo fórum, e assim criaram o Fórum Concurseiros. A bem da verdade, o Deme não foi um dos fundadores natos, ele entrou um pouco depois, mas com certeza foi seu grande divulgador e um dos pioneiros.

E passava suas noites e finais de semana estudando e ajudando as pessoas no fórum. Não havia dúvida que ele não respondesse. Houve uma época que de tanto responder às pessoas, dúvidas das mais cabeludas, começaram a duvidar que ele existia de fato, achavam que era um grupo de professores que respondia o pessoal sob o famoso pseudônimoDeme_SP” e começaram a o xingar.

Para continuar ajudando quem realmente interessava, resolveu abrir outros nicks, sem ninguém saber, só sua eterna companheira Pecê, fundadora do fórum, e se divertia com os tópicos: “Tire sua dúvida de Contabilidade com a equipe de professores da Fipecafi” ou “Tem alguma dúvida de Constitucional? Pergunte ao Alexandre, o Grande, de Moraes” etc. Não me lembro dos nomes ao certo, pois não frequentava o fórum nesta época, a Pecê que sempre me contou essas histórias, pois ele tinha vergonha de admitir o tanto que ajudava o pessoal. O que importa é que ele não fazia isso para se mostrar, como muitos podem pensar, ainda mais por que fazia anonimamente, só a Pecê sabia, ele falava o tempo todo que queria ajudar o pessoal, pois tinha descoberto que ele também aprendia muito com as dúvidas dos usuários.

Elaborava simulados, cheios de questões cabeludas, de todas as matérias, postava no fórum para o pessoal resolver e depois passava o gabarito. Era sua forma de estudar.

Lembro-me bem quando comecei a usar o fórum concurseiros, em meados de 2005, e quando vi aquele monstro respondendo a tudo, pensei: “Este cara é louco, ele tinha de estar estudando, passa tanto tempo elaborando estas questões e respondendo o pessoal que depois vem a prova e não passa”.

Na época um curso famoso elaborou seu primeiro simulado nacional, que teve adesão de milhares de concurseiros em todo o país, e adivinhem quem foi o 1º colocado? Preciso responder? Bem, o mesmo curso fez o 2º simulado, e o resultado foi o mesmo, Deme nas cabeças.

Veio a prova do AFRFB, em dezembro de 2005, e as pessoas começaram a postar suas notas no fórum concurseiros. Comecei a ver as notas postadas e fiquei todo animado, pois tendo acertado 208 dos 300 pontos, vi que tinha tido uma pontuação razoável. Aí veio o Deme e colocou a sua: 254. Quase desabei na cadeira, minha nota era tão insignificante perto da dele que duvidei da minha aprovação por vários dias. Pensava: “Se neste fórum, com limitado número de pessoas dentre os mais de 70 mil candidatos, há um cara com 254, quantos mais não há com notas bem mais altas que a minha?”.

Os dias foram passando e milhares de notas surgiram, e com a minha pontuação eu ainda via que estava bem. Incontáveis foram as mensagens de pessoas xingando o Deme, pois duvidavam que ele existia, ou que era algum mané querendo aterrorizar o pessoal com uma nota impossível de ser alcançada, pois aquela prova teve um nível muito alto, 6 disciplinas novas foram incluídas no edital etc. Enfim, era quase impossível alguém conseguir uma nota tão alta.

Veio o resultado e fui aprovado. Lembro-me bem deste dia, dia 16 de janeiro de 2006, o dia que até hoje considero como o mais feliz de minha vida.

E o Deme, que é quem interessa? O tal cara dos 254 pontos existia mesmo? Aquela nota era real? Sim, ele existia de fato, mas como sempre disse a ele, o rapaz não era deste planeta. Ele fez uma “covardia” com a gente, pois era um extraterrestre iluminado, anos-luz à nossa frente em conhecimento, determinação e espírito elevado, que veio a este planeta para aterrorizar nas provas e mostrar a nós, reles mortais, o que é saber estudar e fazer provas corretamente. Talvez psicografasse as respostas na hora da prova, não sei ao certo, mas alguma coisa diferente aquele menino tinha.

Lembro-me de uma vez em que assistia a um programa esportivo e perguntaram a um ex-jogador famoso quem tinha sido o maior jogador de futebol de todos os tempos, e este respondeu: “Garrincha”. Os entrevistadores se assustaram e rebateram: “E o Pelé?”. E o entrevistado respondeu: “Pelé não considero como o maior jogador de todos os tempos, pois não era deste planeta, ele veio de outra galáxia para fazer covardia com a gente nos gramados”. Na mesma hora pensei no Deme. Ele era como um Pelé, um Michael Jordan ou um Leonardo da Vinci, um ser de outro planeta que veio aqui para mostrar como estudar de forma correta, como resolver provas e como atingir notas absurdas. Mas não fez só isso, ele passou milhares de horas ajudando os outros, respondendo a questões no fórum ou pessoalmente, e depois em suas palestras e textos.

Bem, voltando ao resultado do Deme no AFRFB, ele passou, é óbvio, e ainda ganhou mais 13 pontos, completando 269, ou seja, 90% do total de 300 pontos, tornando-se o 1º colocado nacional. E saliento: sua nota de fato deveria ter sido ainda maior, pois a ESAF deixou de anular diversas questões que ele tinha acertado de fato, mas a ESAF “de direito” não considerou, ou seja, sua nota, se fosse corrigida por professores, teria sido ainda mais alta.

Sim, aquele ser existia, o tal Deme_SP se chamava Demétrio de Macedo Pepice e seu nome estava estampado no DOU, lá em cima.

Lembro-me que diversas vezes disse em minhas palestras e a ele: “Se eu tivesse o gabarito daquela prova, não teria tido a coragem de marcar tantas respostas certas, pois iriam desconfiar de mim, afinal, era humanamente impossível acertar aquilo tudo”. Bem, eu disse “humanamente”, logo, não se aplica ao Deme quando o assunto é concurso. E fiquei ainda mais certo do que dizia ao ver o fato lamentável dos primeiros colocados de um concurso fiscal recente, quando todos desconfiaram das notas astronômicas dos primeiros colocados e depois comprovaram que tinha sido fraude. Se o pessoal do fórum já não conhecesse o Deme, teria pensado o mesmo. E eu também.

Com sua 1ª colocação ganhou um Peugeot de um cursinho de Brasília, pois este prometeu dar um carro a quem fosse o 1º lugar nacional na Receita Federal. E como nem o 1º colocado no Analista da Receita teve um percentual maior que o dele, o carro era dele, e foi buscar lá com toda a pompa, sendo entrevistado pela TV, rádio, jornal etc.

Mas as dúvidas dentre os concurseiros, professores e aprovados eram muitas, afinal, quem era este menino? Qual a cara dele? E o principal: Como ele estudou? E foi para preencher este mundo de curiosidades que surgiu uma das entrevistas mais famosas do mundo dos concursos, a entrevista do Deme para o Vicente Paulo no site do Ponto dos Concursos, que está lá até hoje. Uma pérola. Uma Bíblia. Um “Senhor dos Anéis” para todos lerem. Eram umas 15 páginas de puro conhecimento. Lembro que quando a encontrei, devorei-a em poucos minutos e ainda a reli em seguida, de tão fantástica que achei, mesmo já estando aprovado.

Era a prova de muitas coisas, dentre elas, que uma pessoa podia alcançar um grau elevadíssimo de conhecimento mesmo trabalhando, que as técnicas para estudar (que eu também utilizava algumas mas achava que era coisa de gente maluca) realmente funcionavam, que os concursos sérios existem, que pessoas que estudassem correta e arduamente passariam um dia etc.

Já tinha lido quase todos os livros e textos dos autores mais famosos, mas aquela entrevista me chamou demais a atenção. Lembro-me bem de ter pensado: “Caraca, tenho de conhecer este menino um dia, virou meu ídolo”.

Tomei coragem, entrei em contato com ele através do Fórum e pedi seu telefone. Liguei para ele numa tarde de um final de semana, que me lembro como se fosse hoje, e conversamos por mais de uma hora. A identificação com aquele rapaz foi imediata, parecia que era meu amigo há anos. De minha parte, muito pela admiração e emoção de conversar com aquele ser iluminado. Trocamos diversas ideias e disse a ele que iria continuar estudando para meu grande sonho, o AFR-SP (Fiscal de ICMS-SP). Ele me chamou de doido e disse que não aguentava mais estudar, iria comemorar com a família e amigos por um bom tempo, afinal, foram anos estudando arduamente.

Passado um tempo ele me ligou (eu morava em BH) e me disse que iria estudar para SP. Se passasse, decidiria o que fazer. E aí o pessoal vai dizer: “Para ele era mole, afinal, já tinha estudado tudo, era só ir lá fazer a prova”. Mas não era assim não, pois mais da metade dos pontos da prova de SP eram de disciplinas que não existiam na RFB, ou seja, tínhamos de começar do quase zero nelas, algumas do zero absoluto mesmo.

Só que o tempo passava, falávamos por telefone, e ambos estavam com a consciência pesada por não estarmos estudando, só queríamos saber de comemorar nossa aprovação e descansar a cabeça.

Veio nosso Curso de Formação de 3 meses do AFRFB, ambos praticamente sem estudar nos 3 meses que rolaram desde nossa aprovação no Auditor da Receita e logo na 1ª semana saiu o edital do AFR-SP, com prova em 45 dias.

Liguei para ele e perguntei: “Vai encarar? E se passar, vai para o Estado então?”. E aí veio sua resposta, que me deixou perplexo: “Alexandre, não decidi ainda se vou preencher o gabarito, pois aí tomarei a vaga de alguém caso passe e não vá, decidi estudar mais para poder ajudar meus grandes amigos que não passaram no AFRFB, a Pecê e o Tiago, e são só 45 dias até a prova, e para quem já estudou por 3 anos, vai passar rápido e assim ajudo estes amigos e o pessoal do fórum, pois eles estão baqueados ainda pela reprovação na Receita, e comigo estudando ao lado deles, vão se animar mais”.

Caraca, vai pensar assim em seu planeta, pois aqui na Terra 99,999% dos terráqueos pensaria diferente, no máximo daria uma ajuda no que já sabia, mas estudar milhares de páginas, fazer um Curso de Formação da Receita pesado, com aulas de 2ª a sábado das 8h30 às 18h, com 10 provas eliminatórias, e ainda ir para casa naquele trânsito paulistano e estudar só para ajudar os amigos já é demais. Só um ser muito iluminado para pensar assim. Confesso que fiquei me achando um pecador, pois nunca teria feito aquilo, ainda tinha muito a evoluir espiritualmente, ainda mais porque tento seguir desde pequeno a doutrina espírita. Confesso ainda que pensei: “Quando passar essa fase, vou frequentar mais minha doutrina, ler mais livros etc., pois tenho muito a aprender, enquanto isso tentarei evoluir um pouco com este rapaz”.

Montamos um grupo de estudo por email: Eu, Pecê, Deme, Tiago e Roberto, um colega “japonês” deles que também tinha passado no AFRFB, mas que queria ir para o fisco estadual.

Trocávamos emails diários, respondíamos a dúvidas, trocávamos materiais, resumos etc. A Pecê me ajudava muito mais, pois tinha mais tempo e sabia muito também. Devo muito de minha pontuação para SP, talvez até minha aprovação, a ela.

E antes que me esqueça: Pecê, meu muito obrigado, de todo o coração; muito obrigado por ter fundado o Fórum Concurseiros que tanto me ajudou; muito obrigado por ter sido tão amiga do Deme nestes 7 anos em que se conheceram, com certeza a melhor amiga dele; muito origado por ter me dado o prazer de me colocar no palco para uma palestra ao lado do Deme; muito obrigado por ter me ensinado tanto enquanto eu estudava, mesmo sem nunca ter me visto na vida, enfim, muito obrigado por tudo. Devia essa homenagem pública a você pelo nosso amigo.

Voltando ao Deme, no início, preocupado com o CF do AFRFB, o Deme pegou leve nos estudos, dizia que iria dar um gás lá no início, não iria faltar nenhuma aula e mais perto da prova iria usar todas as faltas que teria direito no CF para estudar direto até a prova.

Entretanto, faltando umas duas semanas para a prova, seu querido avô foi internado. E o Deme passava quase todas as suas noites, após as aulas do CF, ao lado do avô no hospital. Mandava emails para o nosso grupo dizendo que não estava conseguindo estudar quase nada, pois só pensava no seu avô e tinha de amparar não me lembro se seu pai ou sua mãe. E a Pecê explicava para ele o principal, fazia alguns resumos etc., que ele lia nas aulas do CF, em outros intervalos ou no hospital.

Antes da prova me disse que iria preencher o gabarito, pois estava quase decidido a ir para o AFR caso passasse, pois tinha conversado bastante com seus pais. E pessoas melhores para conversar sobre o assunto é impossível, pois além de seus pais, um é AFRFB e o outro é AFR-SP.

Noite do dia 30 de março de 2006, véspera do nosso 1º dia de provas, e seu avô faleceu. O Deme virou a noite consolando a família, passou no hotel em que eu estava perto da casa dele e fomos para o metrô seguir para a prova, pois ambos iriam fazer no mesmo local, pois temos letras iniciais próximas (A e D). Nos vagões e em frente ao prédio da prova, cheios de concurseiros, claro, muitos reconheciam o menino fenômeno e o parabenizavam pela receita, que ele sempre respondia com seu sorriso tímido e respondia às perguntas com a maior tranquilidade, mas ainda muito abatido pela perda do avô fazia poucas horas. Lembro-me que escrevi no fórum no dia seguinte que o Deme parecia uma celebridade. Engraçado que como eu estava ao lado dele, todo mundo vinha até mim e perguntava: “Este aí que é o tal do Demétrio?”. Senti-me um destes seguranças de jogador famoso saindo do ônibus para entrar no estádio em dia de final.

Disse que iria fazer a prova da manhã correndo, pois tinha de aproveitar o intervalo até a prova da tarde para pegar um taxi e ir ao velório. E veio a prova da manhã, a terrível P1, que reprovou quase todo mundo, a pior P1 da história dos concursos fiscais. E o rapaz a resolveu no tempo que podia para se garantir no mínimo de 50%, não anotou seu gabarito para conferir depois e saiu correndo para o velório, chegando de volta em cima da hora da P2, praticamente em jejum. Isso tudo pensando no avô, na família que estava no velório etc.

Saiu o resultado: Deme em 2º lugar, uma questão atrás do 1º, que também obteve uma nota fenomenal e mereceu seu resultado, claro.

Mas caraca, não estudou quase nas duas últimas semanas antes da prova, seu avô faleceu na véspera, saiu da P1 correndo, foi ao velório e ainda teve cabeça para fazer a P2 à tarde e a P3 no dia seguinte para ser o 2º lugar. Respondam-me: Será que merece o apelido de menino fenômeno? De maior fenômeno da história dos concursos fiscais?

Ainda ficou na dúvida por algum tempo sobre qual cargo optar e decidiu seguir para o AFR, no qual fomos companheiros durante estes 5 anos. Pena que em diferentes lugares, pois ele nunca quis deixar seus pais na capital, e eu, apesar de ter pensado algumas vezes em ir trabalhar com ele na mesma delegacia da capital, a de Pinheiros, optei por uma vida mais tranquila em Jundiaí.

Lembro-me de um dia em nosso CF do AFR quando fomos com outros amigos para uma balada. O Deme praticamente nunca tinha bebido, mas se empolgou naquele dia e encheu a cara, aliás, como todos nós, de tão felizes que estávamos. Engraçada era a desculpa dos colegas para beberem mais: “Se o Deme está bebendo, eu também posso”.

No outro dia liguei para ele, ambos na maior ressaca, e ele me disse: “Perdi minha carteira, cartões etc lá na balada. Desculpe-me, mas nunca fui de beber”. E deu a maior risada, dizendo que estava todo atrapalhado ligando para cancelar os cartões e que depois me ligava de volta.

Nessa época sempre conversávamos sobre uma forma de ajudar o pessoal que ainda estava estudando, pois víamos que tínhamos feito diversas coisas em comum em nossos estudos e que muita gente entrava nesta vida muito perdido, sem saber estudar, usando materiais e cursos errados etc. E veio a ideia de escrevermos um livro, ideia esta vinda de outro colega e que gostava do assunto, o professor e autor já famoso, o Sérgio Carvalho. Seria um livro com nós 3 como autores. E ficamos animados, dividimos os assuntos, o Sérgio chegou a escrever dezenas de páginas do início, reunimo-nos para ele mostrar o que já tinha escrito, trocamos ideias etc.

Só que eu e o Deme só queríamos comemorar e descansar e não escrevemos nem uma linha, somente centenas de msgs no fórum.

E como começou nossa vida de palestrantes? Como começou a dupla Alex e Deme? Por favor, nunca nos chamem de Batman e Robin, em respeito à sua memória, pois sempre que faziam isso, eu dizia que eu era o Batman, por ser mais velho e maior, e ele o Robin, pois era mais novo e mais inteligente, o que o deixava irritado comigo vendo-me rir de sua cara. Irritado no bom sentido, claro, porque uma coisa difícil era ver aquele rapaz nervoso, pois levava tudo na paz.

Bem, começou num dia quando a Pecê me ligou e disse: “Alexandre, arrumei para você e o Deme darem uma palestra na famosa Feira dos Concursos, no Rio”, até hoje referência na área.

Quase caí da cadeira, tremi de medo, vergonha ou sei lá mais o quê. Quem me vê em cima de um palco não imagina o quanto eu fico nervoso e ansioso antes de qualquer palestra, até hoje tenho insônia, piriri etc. O Deme não, estava sempre relaxado, tranquilo, certo de que iria dar tudo certo. Aliás, com toda a certeza, em certos assuntos o Deme foi a pessoa mais confiante que já conheci, e isso certamente o ajudou nas provas.

Aproveito agora para inserir aqui uma msg que escrevi esta semana no fórum, quando um colega lembrou que nos conheceu naquele dia, nossa primeira palestra, que vai explicar bem o acontecido. Leiam até o final, garanto algumas risadas.

No ano anterior eu estava lá na Feira para assistir às palestras, pois pensava em voltar a estudar, e obviamente nem imaginava que um dia poderia estar lá em cima. O Deme, muito mais tímido que eu, é que não pensava nisso mesmo.

A Pecê foi a "culpada" por esta nossa vida de palestrante, pois ela que foi pedir ao Ricardo Ferreira, organizador da feira, para nos chamar, pois ele era amigo dela, sem que nem sonhássemos com isso, claro. Ela foi pedir na cara de pau para ele porque confiava na gente e tinha certeza de que seria legal nós dois juntos lá em cima, pois sempre disse que éramos os "opostos" que se complementavam e que tínhamos muitas dicas para passar para muita gente.

Porém, ela tinha um problema, que logo se tornou meu também, tínhamos de convencer o Deme, pois ele não queria ir nem por decreto (se fosse um decreto seria mais fácil, pois ele certamente saberia de cor). Fiquei uns dias pensativo e angustiado, pois se imaginar num palco com 300 pessoas olhando para sua cara, dentre eles vários dos autores de livros e professores famosos, fora a galera do fórum, é brabo, não pensem que é fácil. Até hoje ainda fico os primeiros 15minutos de qualquer palestra nervoso e tremendo, e quase nunca durmo direito na noite anterior, juro mesmo. Mas depois aceitei com a condição de que só iria se ele também fosse, pois não queria pagar este mico sozinho, e obviamente ele iria impor muito mais respeito do que eu.

E começou nosso processo diário de convencimento do menino fenômeno. Quando finalmente conseguimos, colocaram a notícia no fórum que iriam transmitir ao vivo todas as palestras, de graça, pela internet, do site da feira. Na mesma hora liguei para Pecê e combinamos de não contar nada para ele, porque aí que ele desistiria, e mais: falamos para ele se ausentar do fórum até depois da palestra, para não ficar ainda mais nervoso, porque muita gente do fórum estava escrevendo que iria nos ver etc. E fizemos o menino prometer que não iria mais entrar no fórum até lá, sem que ele nem sonhasse com o real motivo, claro. E dávamos muitas risadas disso, eu e a Pecê, mas eu, na verdade, estava tremendo de medo, mas tinha de passar confiança para ele, pois era quase 10 anos mais velho.

Fui no final de semana anterior à casa dele e fizemos os slides, ficamos o fds todo nisso, parando para comer pizza de brócolis, nossa preferida, muito bem recomendada pelo João Antônio.

Ele me perguntou se eu já tinha dado outras palestras antes desta vida de concursos e eu disse para ele ficar tranquilo, porque sempre fiz isso, o que era mentira, era a 1ª vez que eu subiria em um palco. Depois da feira contei para ele, claro, e demos muitas risadas tomando cerveja com a galera do fórum que foi beber com a gente depois dela.

Quando chegamos lá no dia anterior à feira, ficamos conversando com muita gente do fórum e professores, foi muito legal. Até hoje guardo as fotos que tiramos com os professores e autores.

Só que havia um problema, pois por falta de tempo, não treinamos nada antes, erro fatal de qualquer palestrante ou professor. Eu estava muito preocupado por isso, mas não podia mostrar para ele, até que veio o professor Rodrigo Luz e perguntou quantas vezes tínhamos treinado a palestra. Quando dissemos nenhum, o Rodrigo, meu colega de turma de faculdade e professor excelente e muito disciplinado, disse-nos: “Vocês estão loucos, nunca deram uma palestra juntos e não treinaram? Saiam daqui agora para treinar!”.

E assim acabou nossa festa, graças ao Rodrigo, que tinha de ser flamenguista, claro. Mas é óbvio que ele estava certo e tinha sido nosso amigo em falar aquilo. Fomos jantar, tomamos umas cervejas e fomos eu, Deme e Pecê para o hotel em que ele se hospedou ao lado do hotel Glória, onde era a Feira, para mostrar a palestra para a Pecê, na qual pedimos para ela anotar quantos minutos gastaríamos em cada slide, sem falar nada até que acabasse tudo, e tiramos os relógios, deixando só a Pecê com controle sobre tudo. O Deme estava calmo, e eu, estressado. Isso começou umas 23h. Acabamos às 1h30, ou seja, demos 2h30 de palestra para a pobre coitada, sendo que só teríamos 50 minutos no dia seguinte.

Eu fiquei desesperado, não sabia o que fazer. Ele e a Pecê choravam de rir, pois ele era assim, nunca tinha tempo ruim, ria de tudo, eu que me preocupasse, pois sou meio estressado às vezes, e ele sempre tinha a certeza de que tudo daria certo.

Se alguém reparou algumas diferenças entre nós dois em alguma palestra nossa, viu que sempre antes da palestra eu chego cedo, acerto tudo, fico para lá e para cá e ele não estava nem aí, ficava conversando com todos até a hora de começar. Era o jeito dele, tudo sempre numa boa. Enfim, éramos os opostos que se uniam bem, como a Pecê sempre dizia.

Começamos a cortar slides, alguns com muita pena, mas não tinha jeito. E não tivemos gás para dar a palestra de novo pra pobre coitada, pois já passava das 3 da matina. Deixei a Pecê em casa, fui pra minha e estávamos nós 2 na feira de novo umas 10h. A palestra devia ser umas 14h.

Quando era lá pelas 13h vimos uma fila imensa dando voltas no salão, do tamanho da do William Douglas no dia anterior, e perguntei a uma menina da fila de quem seria a próxima palestra, pois queria saber quem iria entrar antes da gente e que tinha atraído tantos concurseiros. Quando ela me respondeu que era pra uma palestra de 2 meninos dos quais tinham falado para ela ir e mostrou o canhoto do ingresso com nossos nomes, isso mais de uma hora antes da nossa palestra, só para garantir o lugar, comecei a tremer de nervoso. Meu irmão mais velho estava lá e começou a querer me acalmar, eu só falava que queria ir embora. Fui ao banheiro tremendo, pro famoso número dois mesmo, suava em bicas, e nós 2 trocamos de roupa para uma mais social. Aí vi o Deme vestir uma calça social preta, sapato preto e meia branca, ainda por cima furada, com a bainha da calça lá em cima, e fiquei desesperado.

Falei: "Caramba, Deme, com esta calça pescando siri (o que ele não entendeu, porque paulista fala pulando brejo e mineiro fala pegando frango), você ainda vem de meia branca furada?" Ele, como sempre, deu muita risada e disse seu famoso: "Deixa, Alexandre, ninguém vai reparar, eu esqueci a preta".

Liguei na mesma hora pra Pecê, que estava saindo de casa atrasada, e pedi para ela roubar uma meia do pai dela.

Ela chegou em cima da hora da palestra, falei pro Deme ir ao banheiro trocar a meia, ele jogou a meia branca no lixo e voltou com a meia preta do pai da Pecê.

Começamos muito nervosos, eu muito mais do que ele, eu nem conseguia falar, só tremia. Depois de uns 15 minutos, eu achando que estava uma droga, o que me deixava mais nervoso ainda, ele pegou o microfone e começou a fazer o pessoal rir com o jeito dele. Aí relaxamos, a galera gostou e depois foi só festa até o final.

Lembro-me como se fosse hoje quando perguntei ao pessoal, no final da palestra, que cada um se lembrasse de quantas disciplinas tinha reprovado na faculdade. Quando eu disse que reprovei em umas 10, todo mundo se assustou. Quando perguntei se confiavam que alguém poderia passar para o AFRFB tendo sido reprovado em mais de 10 disciplinas na faculdade, ouvi diversas negativas na platéia. Aí perguntei se acreditavam em alguém com 20 reprovações, com 30, com 40, até que cheguei a 47. Quando todos se espantaram e começaram a rir, eu disse: “Bem, conheço uma pessoa que foi reprovada em 47 disciplinas na faculdade, mas se formou, não arrumou um bom emprego, decidiu estudar, estudou por 3 anos com muita raça e foi 1º nacional na CVM e no AFRFB, com a nota mais fantástica da história, e ainda 2º no AFR-SP, que é este rapaz aqui ao meu lado”, foi um espanto geral. Ainda brinquei que por causa da palestra estar sendo transmitida pela internet ao vivo, ele era quase um Deus, um ser onipresente, pois todos os concurseiros estavam o assistindo naquele momento. Foi legal, foi um bom fechamento, que mostrou a todos que não importa qual tipo de estudante você tenha sido antes, se resolvesse estudar com afinco, um dia passaria.

Ontem fiz o upload do áudio desta nossa 1ª palestra, que está no link abaixo, é só clicar no botão verde no meio da tela, baixar o arquivo e ouvir. Sugiro só ouvir após os 14 minutos, quando ele se apresenta e os seis últimos minutos, com este fechamento. Estávamos muito nervosos, esqueci-me de apresentar o Deme e de agradecer por ele no final, mas, como sempre, ele me respondeu quando pedi desculpas pelo esquecimento: “Esquece, Alexandre, o que interessa é que o pessoal gostou e pudemos ajudar a galera”.

https://rapidshare.com/files/3557877156/_Palestra_da_Feira_-_Alex_e_Deme.mp3

Acabamos com 1h, com os seguranças quase nos arrancando a força do palco, e ela ainda foi votada na eleição da feira como a melhor palestra de todas. Fomos aplaudidos de pé, muito legal, cheguei a chorar de emoção, pra variar, ainda mais com meu irmão me vendo na primeira fileira, no qual fiz questão de abraçar com os olhos cheios d´água.

Acabada a palestra, eu e a Pecê contamos a ele que aquela câmera que tinha nos filmando não era para fazer um vídeo, e sim a estava transmitindo ao vivo pela internet e que a galera toda do fórum nos assistiu e que por isso pedimos para ele evitar o fórum nos últimos dias. Ele quis nos matar, mas caímos os três na gargalhada.

No mesmo dia eu e a Pecê relatamos o acontecido com a meia dele no fórum e começou uma caçada fictícia pelas meias do Deme nas lixeiras do hotel, pois acreditavam que se fossem fazer uma prova com as meias dele, passariam. O principal era não as lavar nunca, fazer a prova com o chulé dele mesmo. Se eu soubesse disso, teria pego as duas e feito um leilão no fórum, com a rasgada valendo muito mais, claro.

Dali vieram outros convites para palestras em Curitiba, Fortaleza, Sampa, Campinas etc.

Nessa de Fortaleza, era feriado de Finados de 2006, cinco anos atrás, quando ficamos 10h sentados no chão do aeroporto de Guarulhos no dia anterior, pois foi justamente o dia que estourou o caos dos aeroportos. Confusão com a polícia, pernilongos aos milhares, sem água e comida, lanchonetes todas fechadas, crianças chorando, sem informações e notícias, atendentes das companhias quase apanhando dos passageiros, banheiros entupidos e fedorentos, enfim, um caos total. Eu desesperado e reclamando de tudo e ele rindo e dormindo como se fosse tudo normal, falando pra mim: "Relaxa, Alexandre, vai dar tempo, a gente dorme aqui no chão mesmo", como se estivesse deitado no Copacabana Palace recebendo um cafuné da Catherine Zeta Jones.

Chegamos virados para dar a palestra, que para nossa sorte só seria à tarde, correu tudo bem apesar do cansaço extremo e depois foi só festa.

Fomos ao hotel dormir algumas horas e os dois filhos do dono do curso Master, o Boni, que tinha organizado a palestra, vieram nos buscar para irmos à famosa balada Mucuripe. Mal chegamos lá e o Deme me disse: “Quero começar a beber whisky, mas preciso entender as diferenças entre eles, até andei lendo alguns artigos”. Ele era assim, caso se interessasse por alguma coisa, lia tudo na internet, livros etc. Aí eu disse a ele: “Tudo bem, aqui é bem barato mesmo (para quem mora em SP, sair no nordeste é uma maravilha), então vamos começar cada um tomando um, porque você não tem costume de beber”. Até parece, na ânsia de “aprender” mais, o rapaz chegou para o garçom e perguntou: “Quantos whiskies diferentes você tem?” E o cara respondeu: ”Seis”. “Beleza, me dá 6 fichas, uma para cada”. Eu e os os outros dois caímos na gargalhada. Claro que eu não podia fazer feio e o acompanhei, mas tomei 6 do mesmo. Resultado: nós quatro nos perdemos naquele ambiente gigantesco e já quase de manhã, quando cheguei de taxi no hotel e encontrei o Deme dormindo, fiquei aliviado. No outro dia acordamos e não nos lembrávamos de quase nada. Nem tínhamos muita ideia de como fomos embora, mas certamente foi de taxi. Até que achamos nossos canhotos do cartão de crédito e tivemos a certeza de que pagamos a conta.

Levantamos e fomos fazer aqueles passeios de buggy, descer as dunas de esquibunda, pegar o skybunda para mergulhar na lagoa etc. Quando chegamos ao hotel, ele viu um piano no saguão e perguntou para a atendente se poderia tocar. Ele se sentou e começou a tocar músicas do Iron Maiden, uma de nossas bandas favoritas e que estou escutando desde que comecei a escrever esta coluna faz algumas horas, e eu fiquei impressionado. Não era um exímio pianista, ainda mais que estava há anos sem praticar, mas foi muito legal ouvir Iron no piano, ainda mais tocado por um amigo, minha referência no mundo dos concursos. Parece uma coisa boba, mas nunca nestes 5 anos deixei de ouvir Iron e me lembrar daquela tarde em Fortaleza.

E aqui aproveito para explicar uma coisa: apesar de ter brincado neste texto que algumas vezes o Deme bebeu com os amigos, ele não era de beber, nunca foi, só que de vez em quando tomava umas com os amigos, o que é perfeitamente aceitável. Que ninguém diga depois que ele gostava de beber etc., pois será uma inverdade.

Depois ainda demos outras palestras, mas ele foi cada vez mais se interessando pelo mergulho e deixando o mundo dos concursos de lado. Cheguei a chamá-lo várias vezes para dar palestras comigo, e ele dizia que estava defasado, pois não lia mais nada a respeito há tempos. Quando era em SP, ia lá me prestigiar e sentar na 1ª fileira ou ao meu lado no palco, quando ficávamos o tempo todo zoando um ao outro e divertindo o pessoal e, principalmente, a nós dois.

Ainda consegui o convencer a dar uma palestra comigo em rede nacional, via satélite, pelo Curso para Concursos/LFG, isso acho que foi em 2009. Foram duas noites muito legais, com milhares de pessoas nos assistindo. Tenho guardados os DVDs daquelas noites, que espero um dia ter coragem para assistir de novo e ver a última vez em que ele esteve ao meu lado em um palco para uma palestra inteira.

Ele sempre foi muito apegado aos pais, e nunca se separou deles. Falava com eles o tempo todo, mesmo quando estávamos viajando, pois eram suas referências máximas. Nestes cinco anos de fisco estadual, tivemos 10 períodos de férias (2 de 15 dias por ano), e acho que só um ou dois deles ele viajou sem os pais, sendo que um foi comigo e mais 4 amigos daqui do fisco para a Tailândia em abril de 2009. Sempre dissemos que os dias mais felizes de nossas vidas foram aqueles 17 dias viajando por lá e por Hong Kong. Noites rodando de tuk-tuk, dias em praias espetaculares, mil passeios de barcos, mergulhos em mares maravilhosos, muita aventura etc. Para ele tudo estava sempre bom, para tudo dava risada. Lembro-me bem que a gente só o chamava de “zero-um”. Um amigo nosso, o Primo, sempre gritava quando ele errava olhando os mapas: “Por&%, zero-um, todo mundo pode errar aqui, menos você”. E caíamos na gargalhada. Ele era nosso “zero-um”.

Aqui tem uma foto nossa na noite de Hong Kong:

http://www.flickr.com/photos/30948789@N07/3464244784/in/set-72157617057062885

Aqui nós 6 caminhando do alto de uma torre a 230m de altura em Macau, na China:

http://www.flickr.com/photos/30948789@N07/3464246206/in/set-72157617057062885

Detalhe: fomos lá porque ele queria saltar lá de cima de bungiejump, só que chegamos 15 minutos atrasados e já tinha fechado, o que agradeci aos céus, porque não teria coragem de saltar e ele iria ficar me zoando muito depois.

Depois, sempre que o chamava para viajar de férias de novo, ele me respondia: “Alexandre, foi mal, mas vou viajar com meus pais”. Viajava com seus pais, ia a um lugar legal para mergulho enquanto seus pais ficavam o esperando em terra. E fez isso diversas vezes.

Bem, essas foram algumas das muitas lembranças que tenho dele. Foi muito brabo escrever isso tudo.

Nestes últimos dias muita coisa rolou em minha cabeça, foi um rolo compressor de lembranças, medo do futuro, revolta, angústia etc.

Primeiro, vem o famoso arrependimento por não ter ficado mais ao lado dele, ter passado meses e meses sem vê-lo por diversas vezes. Depois, a revolta, pensando que tanta gente ruim para ir embora, por que logo o amigo mais caridoso e de melhor espírito que eu já tinha conhecido? Ainda é tudo muito recente, menos de uma semana, a cada dia é uma sensação diferente em minha cabeça.

Ao ler a linda mensagem do João Antônio no site do Eu Vou Passar, caí na real que devemos dizer mais um “eu te amo” a quem gostamos, que devemos ajudar mais os amigos e parentes que precisam da gente e que muitas vezes, inconscientemente, deixamos de lado. Precisamos tomar mais chopps com os amigos, conversar com nossos pais, abraçar o amigos, ir a aniversários de família. Precisamos não ter vergonha de dizer um “eu te amo” aos familiares e amigos, coisa que nunca faço. Assim, caso você seja meu amigo e esteja lendo este texto, não se assuste quando me ouvir dizer um “eu te amo” ou um “gosto muito de você” daqui para a frente, pois tentarei perder a vergonha para dizer isso.

E me dói agora cair na real de que nunca disse isso ao Deme, nunca disse a ele o tanto que o admirava. Tenho a certeza de que ele sabia parte de minha admiração por ele, pelo que eu dizia dele em nossas palestras, mas ele sabia disso pelo lado do seu estudo, mas isso é o que menos interessa, o que me dói é que nunca disse a ele a pessoa maravilhosa que ele foi e o quanto o admirava por isso. Que mesmo distantes e algumas vezes sem nos encontrar por meses, que ele permanecia sempre em minhas lembranças e que o considerava um de meus melhores amigos. Nunca disse isso ao Deme, e choro muito ao escrever este parágrafo, mas me prometi que não errarei mais isso com os amigos e familiares que ainda estão perto de mim.

Tenho um grupo de amigos há 27 anos, que sempre mantivemos contato pessoal e através de uma lista de emails nossa. Somos uns 8 ou 10, mais da metade fiscais nos mais diferentes fiscos. Há um de nós que sempre manda emails pro grupo dizendo “eu amo vocês”, e sempre rimos disso, zoando-o. Caramba, ele que sempre esteve certo, e eu passarei a fazer isso a partir de agora.

Enfim, resolvi dizer sempre aos meus familiares e amigos o quanto os amo, tentarei não ter mais vergonha, ainda mais para os homens, pois isso será uma tremenda zoação às vezes, pois quando um deles se for, não ficarei mais arrependido por não ter dito em vida. Eu sempre li isso, mas precisou um amigo partir para ver o quanto isso é importante.

Recebi a notícia do seu falecimento quase um dia depois, às 4h da manhã de 2ª para 3ª. Estava nos EUA, faltando dois dias para terminar de realizar um dos maiores sonhos de minha vida: viajar por dois meses ao exterior. Tirei licença prêmio, juntei com férias e feriados e realizei meu sonho. Nesses dois meses, desliguei-me um pouco do mundo, não lia nada sobre concursos, só lia sobre o Vasco, que está fazendo bonito este ano.

Ao todo, foram 56 dias viajando fora do país. Mas faltando 2 dias para minha viagem dos sonhos acabar, recebi a notícia do falecimento dele. Tentei de tudo para mudar meu voo e chegar a tempo para o velório, mas como só fui encontrado muitas horas depois, não conseguiria chegar a tempo. Fiquei revoltado ainda mais, pois não poderia ver o rosto do meu amigo pela última vez, não poderia dar um abraço nos pais dele, e isso me doeu muito. Só me restava rezar à distância e escrever alguma coisa no fórum.

Cheguei 5ª de manhã direto para o trabalho, onde comecei a trabalhar como fiscal externo, finalmente, pois fazia 5 anos que perturbava os chefes para conseguir isso. Incontáveis foram as vezes que conversei com o Deme sobre este assunto, do meu desespero em ser externo logo, e que no dia que isso acontecesse, sairia para beber com os amigos. Tinha realizado o sonho de uma viagem maravilhosa e inesquecível, voltei como fiscal externo e estava triste, obviamente. Não tive nem tempo de mostrar as fotos pro Deme e contar minhas histórias, que ele sempre ouvia com a maior atenção e ria muito, tomando um chopp com ele para também comemorar minha “externada”.

Sou viciado em dar palestras e escrever sobre concursos. Isso virou um vício, faço por prazer, faço me divertindo, apesar da ansiedade e do frio na barriga na véspera, que os palestrantes famosos sempre me dizem que é normal.

Em 2009 e 2010 diminuí muito minhas palestras, porque estava cansado, a pressão era grande, as cobranças idem, fora as fofocas mentirosas etc., enfim, precisava relaxar, curtir o que tinha conquistado, assim como o Deme tinha feito pouco antes.

Mesmo assim, nos últimos anos dei algumas palestras sozinho, nas quais mencionava o Deme diversas vezes, e até quase as últimas fazia questão de não tirar o nome dele do rodapé dos slides, pois tinha esperança de um dia ele voltar, pois algumas vezes me disse que uma hora iria voltar a estudar sobre concursos, dar uma atualizada no que rolou e iria me fazer companhia de volta. Não sei se falava isso para eu parar de perturbá-lo, mas me disse mais de uma vez. Só sei que quando nesta semana o administrador do fórum me disse que semana passada recebeu um email do Deme pedindo para reativá-lo, após anos sem usar o fórum, fiquei ainda mais triste. Talvez fosse voltar para me ajudar e ao pessoal. Não sei, uma das coisas que ficarei sem saber, pois estava fora do país e sem conversar com ele durante minha viagem, então não sei porque queria voltar ao fórum.

Ele sempre ficava impressionado e tímido ao ver como a galera concurseira gostava dele. Conversei de novo para ele voltar à ativa ao meu lado no lançamento do meu livro, do qual ele foi o prefaciador. Por muito tempo insisti para ele escrever comigo, mas ele não queria. Com muito custo arranquei dele o prefácio, isso após uns 3 meses o xingando quase diariamente para ele escrever, que ele escreveu em uma noite, já com o livro quase pronto e a editora quase me comendo vivo porque ainda faltava o prefácio para finalizar tudo.

Ontem no meu trabalho uma estagiária me pediu um livro, pois eu dou de presente para as que realmente querem começar a estudar. Quando peguei e vi o nome dele estampado na capa, foi brabo, foi muito brabo mesmo, só consegui escrever um seco “Bons estudos e um abraço do Meirelles” e saí para o banheiro.

Afinal, será que um dia conseguirei ler este trecho que ele escreveu no prefácio do meu livro e não chorar? “Com o passar do tempo, tornamo-nos grandes amigos e passamos a ministrar palestras em diversos cursos preparatórios com o objetivo de ajudar aqueles que, assim como nós um dia, procuravam o caminho mais curto e eficiente para a aprovação.”

Até ontem, dia 3/11/11, pensava em não dar mais palestras, não por revolta ou outra coisa parecida, e sim pelo medo de não conseguir subir ao palco e não poder falar no nome dele, pois aí o mundo iria desabar. Como dar uma palestra sem falar no nome dele, se eu falo dele o tempo todo nelas? Repito, não é para esquecê-lo, óbvio que não, é porque vai ser brabo continuar a palestra e o pessoal não está lá para me ver chorar, e sim para pegar algumas dicas.

Quem já assistiu a minhas palestras sabe o quanto me emociono, que muitos não entendem e até pensam que é fingimento. Aí me lembraram do Leandro e Leonardo, João Paulo e Daniel etc. Claro que foi difícil para eles no início, ainda mais porque tinham parcerias muito maiores e profundas da que eu tinha com o Deme, mas que continuaram também para homenagear o amigo. Não sei ainda, mas vou tirar uns meses para repensar e tomar uma decisão. Vai ser brabo, principalmente a primeira vez, mas devo isso a ele, aos meus pais, que adoram saber dessas coisas e, claro, para ajudar os concurseiros, que perderam um grande referencial e precisam de alguma orientação e ajuda. Ele me ensinou isso, de ajudar os concurseiros, ele fez isso como quase ninguém, sempre com humildade, paciência e carinho. Ele fez muito pelos concurseiros, muito mais do que muitos imaginam, ainda mais o pessoal que só está nesta vida difícil faz poucos anos, depois que ele quase parou.

Nestes meses o mundo perdeu algumas pessoas tidas como referências em suas áreas, como Steve Jobs, gênio da Apple, e, para quem é fanático por futebol, como eu, Armando Nogueira e Luiz Mendes. Mas entender essas mortes foi mais fácil, pois o 1º, pai da Apple, apesar de novo, já estava doente há tempos, e os outros dois estavam bem velhinhos. E não os conhecíamos pessoalmente.

Mas deixar de ter em nosso convívio um menino tão novo, 32 anos, tão de repente, que foi dormir no domingo à noite, deu boa noite para os seus pais e não acordou para trabalhar, é dose. E era uma referência em sua área também, como os anteriormente mencionados.

Uma vez a Pecê perguntou a ele: “Deme, alguma vez você discutiu com seus pais?” E ele: “Não, nunca”. “Caramba, Deme, nem uma batida de porta?”. E ele: “Não, eu não brigo”. Caramba, é justo tirar do nosso convívio uma pessoa dessas? Por mais que eu tente entender que foi a vontade de Deus, não consigo.

Sei que muitos que estão lendo este texto já perderam pais, filhos, irmãos e amigos, mas eu nunca tinha perdido, tirando alguns amigos que lamentavelmente já se foram, mas com os quais não convivia mais havia anos. Mas nunca alguém próximo a mim tinha partido, e mesmo com minha fé no espiritismo, acreditando que ele está bem lá em cima, e que talvez um dia eu possa me encontrar com ele, está brabo suportar.

Como olharei para minha foto na Veja, lembrando que fui depois acompanhá-lo nas fotos que ele tirou na casa dele? Como não me lembrar que depois das fotos fomos à pizzaria que ele me apresentou e que se tornou a minha favorita, a Quintal do Brás, na Vila Mariana, bairro em que ele morava? Aquela revista foi motivo de muito orgulho para nossos familiares e amigos, mas como olharei para ela de novo? Como um dia assistir novamente aos poucos segundos em que aparecemos no Fantástico, há 2 anos?

Sei que daqui a uns meses ficarão as boas lembranças, como as que relatei acima e muitas outras, o choro virá com mais naturalidade, junto a risadas e orações, mas ainda está brabo.

Foi difícil encontrar forças para escrever este texto, mas eu devia isso a ele. Ficou imenso, como não poderia deixar de ser para contar suas histórias e mostrar uma pequena parte de quem ele era. É meu jeito, eu prefiro sentar e escrever, foi a forma que encontrei para homenageá-lo.

Finalizando, peço novamente que leiam minha proposta da 1ª parte, vamos movimentar o mundo dos concursos e dos ex-concurseiros para homenageá-lo junto aos seus pais. Vamos mostrar a eles quem foi este ser fenomenal que conviveu entre nós por pouco tempo, mas que ajudou a mudar a vida de tantas pessoas para melhor.

Deme, menino fenômeno, descanse em paz. Muitos já colheram seus frutos e muitos outros ainda irão colher. Aprenda tudo aí em cima para nos ensinar depois. Um dia estaremos juntos novamente para ouvirmos suas risadas inocentes e ensinamentos. Até um dia.

fonte: Ponto dos Concursos


Um comentário:

Lusinete Patricio disse...

Nossa! eu que comecei a estudar para concurso pela primeira vez, dou de cara com um depoimento desses! Chorei. Mas ao mesmo tempo me deu uma vontade louca de estudar muito e passar num concurso. Existem pessoas que parecem que vieram a este mundo com uma missão bem definida, e depois de cumprida esta missão elas se vão. Assim foi com o Deme.

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