segunda-feira, 19 de outubro de 2015

E agora, com essa crise? Vai ter concurso?


Essa é uma pergunta que quase todos os concurseiros devem estar se fazendo no momento. Todos sabemos das dificuldades pelas quais passa o país e ficamos naturalmente apreensivos com a (im)possibilidade de novos concursos para as áreas que tanto nos esforçamos para conseguir alcançar. A Administração já demonstrou claramente que as negociações por aumentos salariais estão complicadas e que este não é o melhor momento para tais reivindicações.

E então? Em que isso tudo influencia os concursos? Isso afeta os certames para a Receita Federal?
É óbvio que não há resposta exata para isso. Se você está atrás de um firme "sim" ou "não", deve procurar um astrólogo, vidente ou algo desse tipo. Brincadeiras à parte, temos algumas considerações importantes a esse respeito.

Crises econômicas afetam os concursos? Sim. Não há como negar que, se o Estado pretende cortar gastos, procura enxugar o seu efetivo e reduzir suas despesas também com pessoal. Não entraremos aqui na discussão dos cargos em comissão e das funções em que pessoas estão sendo empregadas por motivos políticos e em que, às vezes, nem trabalham. Acompanhamos há algumas semanas o famoso caso da " Senhora!", dentre outros. Não é esse o foco aqui. O importante a se ressaltar é que a crise afeta sim os concursos, que são, muitas vezes, adiados ou até cancelados.

 E no caso específico da Receita? É a mesma coisa?
Esse é um ponto delicado. Particularmente, eu acredito que as Receitas (Federal, estaduais e Distrital) não sejam tão afetadas em seus concursos como outas áreas o são. Logicamente, se o Estado precisa formar um superávit, ele precisa diminuir suas despesas e aumentar a sua arrecadação, certo? E quem são os servidores responsáveis pela arrecadação do ente estatal? Os que trabalham nos órgãos de fiscalização tributária, certo? Alguns aqui dirão que a maior parte da arrecadação é espontânea e que a Receita não é tão importante quanto se pensa. Eu discordo. Por mais que grande parte da arrecadação seja sim espontânea, ela acontece justamente porque o contribuinte sabe que, caso não recolha corretamente seus tributos, será fiscalizado e devidamente autuado. Tente só enfraquecer o órgão fiscalizatório e deixar a população saber disso. Não é preciso ser astrólogo ou vidente para saber que a arrecadação cairá de forma significativa.

Portanto, além de arrecadar efetivamente, cobrando os tributos necessários e aplicando as sanções devidas, o servidor da Receita atua no consciente coletivo, causando no contribuinte a sensação de que está sujeito à fiscalização da receita, caso opte por cometer algum ilícito tributário. Algo bem parecido com o Panóptico Foucaultiano. Elimine esse fator em uma sociedade onde a "cultura da vantagem" impera e veremos os resultados.

Por isso tudo, acredito que os concursos para a Receita não serão tão afetados quanto alguns outros. Além da grande necessidade de servidores em todas as áreas e regiões do órgão, o aumento dos mesmos também significa o aumento da arrecadação. Servidores novos e motivados contagiam o ambiente de trabalho e trazem um novo ânimo para qualquer grupo profissional.

Essa é a hora certa para focar nos estudos, pois muitos bons candidatos estão desistindo. Logo, as chances estão a favor de quem permanece na disputa.

Um comentário:

Gustavo Martins disse...

Muito bom, parabéns! Compartilho da mesma opinião.

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